quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

O VENTO


 


        
 
 
A noite é longa, escura.
 
Ouço o barulho do vento
 
sacudindo as ventanas.
 
Ele chama, ele chora, ele clama.
 
Há um mistério lá fora,
 
na linguagem das folhagens
 
e no gemido do vento.
 
Ele chama, ele implora, vem,
 
não demora.
 
O grito é aqui dentro,
 
nas minhas entranhas.
 
Estranho apelo.
 
Estou só, falo de mim,
 
para mim mesma.
 
Até quando? Pergunto.
 
Somente uma vida aguardando
 
a próxima espera.

quarta-feira, 18 de julho de 2012

CELEBRAÇÃO

















As tranças longas, o cavalo veloz:

São a memória dos tempos que se foram.
É assim que te vejo, na brumas do passado:
índia, abraçada à árvore secular
de raízes profundas fincadas na terra
outrora fértil...

Enfrentando guerras, lutas, arcos e flechas:
São memórias do tempo que me apertam o peito,
quando contemplo a figura de uma vida distante,
pertencente à terra, aos campos férteis,
cavalos e búfalos, à cultura dos grãos;

Estás em minha memória
e me vem a emoção
de outras vidas, muitas vidas,
que irão compor a minha história,
nessa trajetória rumo ao infinito
e que jamais voltarão.



quinta-feira, 14 de junho de 2012

LIVROS


             


Ali estão eles, todos quietos -
alguns já cumpriram a sua missão.
Outros, simplesmente, aguardam - esperando a hora
da doação -
esperando a hora do encantar, emocionar,
levando-me para lugares distantes, desconhecidos -
é a alma do escritor que ali se doou,
com palavras sublimes, ansiosas, maviosas,
um explanar de coisas maravilhosas,
que moram dentro do ser e que,
de repente, explodem, num jogo de luzes
e de emoção - encantando corações:
são canções de luz, de explendor, de dor...
Ah, com que sabor
desfolho tuas páginas, descubro, choro, rio,
mergulho como se mergulhasse num oceano!
Livros - estão todos lá: como se fossem filhos,
primos, ou amigos que me estendem a mão -
que se dão,
sem outra intenção que seja a de levar
conhecimento, encantamento, emoção plena!

São todos eles puro amor!

sexta-feira, 13 de abril de 2012

ÁRVORE




És linda, majestosa, abençoando, se dando,

espalhando seus galhos frondosos

sobre a terra que te sustenta,

e te alimenta.

Tu, em troca, também alimentas, recebendo,

carinhosa, aqueles que te buscam para repousar:

pássaros, borboletas, insetos mil.

És mãe acolhedora, abençoada,

mui amada;

às vezes vilipendiada, por braços amaldiçoados

que te cortam, estraçalham

que te jogam por terra, abatida,

sem verem que tu choras

por não poderes mais cumprir o teu papel.

Amo-te, árvore, do fundo do meu ser!

Pois sei que um dia também eu

fui mineral, vegetal, animal,

e aqui estou, subindo mais um degrau

na escala da vida,

que é infinita!

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Estranho olhar






Estranho fascínio esse que existe

em teu olhar que me seduz,

e ao qual não consigo fugir!

nossos olhares se cruzam e é

como se um elo invisível

nos atraísse, formando uma corrente

somente no ar,

como uma teia invisível...

sinto-me borboleta pairando, fascinada

pela luz que emana do teu olhar,

que me arrebata e me faz sonhar...

somente sonhar...

porque és barco partindo,

sumindo

na linha do horizonte.

Somos apenas dois pontos distantes

que jamais irão se encontrar.





quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

SOLIDÃO




As horas passam, passam os dias
Alongam-se as noites. Um dia, outro dia,
Todos iguais, vazios, distantes,
perdendo-se no tempo,
perpetuando lembranças.
Lembranças vivas, qual chama crepitante,
enchendo os dias frios
de uma existência que não enche,
sequer, o tempo.

Olho no espelho e vejo olhos vazios:
enxutos de lágrimas,
molhados de esperança.

Cabelos negros que ficaram em minhas mãos,
Olhos que ficaram nos meus,
Lábios que molharam meus lábios...
Nesses dias vazios, nessas horas frias,
Onde estarão?


sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

MEU ANIVERSÁRIO



HOJE...  AGORA...  AMANHÃ

SAUDADE... SAUDADE DO QUE FUI,

SAUDADE DO QUE JÁ VIVI.

ATÉ PARECE QUE TUDO, TUDO,

TERMINA AQUI.



sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

ETERNIDADE







Ouço o silêncio que se faz em mim.

Tu te foste.

Já não ouço tua voz,

senão em minha consciência,

e nessa solidão atroz.

Por onde andarás? 

Estarás pisando em nuvens,

teu espírito vagando como sombra

ou divisando luz,

aprendendo, esperando?

Por certo um dia nos encontraremos

e, através da eternidade,

continuaremos nos amando.